• Psicólogo - José Carlos

Atuação das Substâncias Químicas Ilícitas no Sistema Nervoso Central (SNC)

O Sistema Nervoso Central (SNC) é responsável por produzir funções importantes para o desenvolvimento humano como o pensamento, a memória, o sono, a aprendizagem e por processar informações sensoriais recebidas do mundo externo. Ele é constituído por bilhões de células interligadas, chamadas de neurônios, formando uma complexa rede de comunicação (CARLINI, 2001).


Existem substâncias químicas que, ao entrar em contato com o SNC alteram o seu modo de funcionamento de forma nociva, ou seja, prejudicial. As substâncias exploradas neste estudo, fazem parte desta categoria e são nocivas, ilícitas e proibidas pela Lei brasileira. Essas substâncias são a cocaína, crack, ecstasy e maconha e são citadas na Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10 na lista de categorias entre F10 e F19


A cocaína, o crack, o ecstasy e a maconha se enquadram na categoria de substâncias psicoativas, pois promovem diversas alterações no funcionamento psíquico de seus usuários. A cocaína por ser uma droga psiquicamente estimulante, oferece uma sensação de energia que facilita o comportamento do uso abusivo e de dependência (LEITE e ANDRADE, 1999). Essa dependência provoca arritmias, problemas pulmonares, convulsões e deficiências vitamínicas.


No campo psiquiátrico, as complicações podem se apresentar por meio de transtornos associados diretamente ao consumo ou transtornos induzidos pela substância (transtornos psicóticos).


Já no campo neurológico podem ocorrer cefaleias, isquemias, acidentes medulares, acidentes vasculares encefálicos ou disfunções motoras, como tremores ou tiques (LEITE e ANDRADE, 1999).


Além de excitação e entusiasmo, é comum que os usuários de crack experimentem efeitos físicos como aumento da pressão arterial, contração dos vasos sanguíneos, calafrios, tremores e dilatação das pupilas. O dependente pode sofrer com lesões cerebrais, infarto ou isquemias além de complicações pulmonares graves como edema pulmonar agudo (MANÇANO et al., 2008), e eventos psicológicos como alucinações, delírios, mudanças de humor e de comportamento.


Dentre os efeitos positivos do ecstasy estão o bom humor, inibição social, excitação sexual, euforia, aumento de energia e de autoconfiança. Já os efeitos negativos são insônia, dificuldade de concentração, sintomas depressivos, preocupação, aceleramento dos batimentos cardíacos, agitação, mudanças de temperatura corporal, tontura, fadiga e dores musculares (COOK, 1995).


Os efeitos causados pela maconha acometem, o sistema cerebral, cardíaco e pulmonar, ocorrem de maneira aguda e são, de forma geral, reversíveis caso o indivíduo passe pela fase da abstinência. Há complicações na função de memória recente e na realização de tarefas elaboradas e a sua principal consequência imediata é o sentimento de euforia e uma alteração de consciência (SCHUCKIT, 1991).



CONSIDERAÇÕES


No caso das substâncias psicoativas ilícitas, os prejuízos e danos causados pelo seu consumo nas funções cognitivas, emocionais, sociais e comportamentais dos indivíduos são muito mais significativos e duradouros do que as sensações imediatas de prazer que elas proporcionam.


A neuropsicologia se direciona para estes prejuízos na busca de minimizá-los promovendo, a recuperação das funções perdidas e uma readequação do sistema mental dos sujeitos afetados por eles.


Sabendo que o uso, principalmente quando crônico, destas substâncias causa alterações no sistema nervoso central dos usuários, iniciando ou agravando transtornos psíquicos e distúrbios comportamentais como a paranoia, depressão e ansiedade, e que estes transtornos prejudicam a saúde mental e o bem estar das pessoas.


O modelo cognitivo comportamental descrito na obra “O tratamento da dependência química e as terapias cognitivo-comportamentais”, organizada por Zanelatto e Laranjeira (2010), o início da dependência química está pautado na forma como o indivíduo percebe as situações e as constrói de forma negativa em seu interior, ocasionando uma alteração comportamental, levando-o a encontrar estratégias compensatórias (neste caso fazendo uso de alguma substância psicoativa) que anulem os sentimentos ruins. Neste sentindo, Zanelatto e Laranjeira afirmam que “a Terapia Cognitiva Comportamental objetiva modificar e reestruturar cada um desses grupos de crenças disfuncionais, diminuindo o craving e interrompendo o uso ou prevenindo a recaída” (2013:133).



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


TRABALHOS CIENTÍFICOS


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AQUINO, Ana Karyne Almeida et al. “Alterações na memória em usuários de cocaína: um estudo teórico sobre a ação da droga no sistema nervoso central”. Ciências Biológicas e da Saúde. Maceió, n.1 v. 2, maio 2014. p. 133-149. Disponível em: https://periodicos.set.edu.br/index.php/fitsbiosaude/article/view/1190/770 Acesso em: 05/04/2017


CARLINI, Elisaldo Araújo. et alii. “Drogas Psicotrópicas: o que são e como agem”. In: Revista IMESC. São Paulo, SP. nº 3, 2001. pp. 9-35. Disponível em: http://www.imesc.sp.gov.br/pdf/artigo%201%20-%20DROGAS%20PSICOTR%C3%93PICAS%20O%20QUE%20S%C3%83O%20E%20COMO%20AGEM.pdf. Acesso em: 05/04/2017


CARVALHO, Márcia. “Ecstasy: Efeitos biológicos e avaliação da toxicidade” Cidade do Porto: UFP, 2007. Disponível em: http://bdigital.ufp.pt/bitstream/10284/460/2/332-343REVISTA_FCS_04-7.pdf. Acesso em: 05/04/2017


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NEVES, Elcione Alves Sorna; SEGATTO, Maria Luiza. “Drogas lícitas e ilícitas: uma temática contemporânea”. Revista da Católica, [S.l.], v. 2, n.4, p.9, nov. 2010.

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RIGONI, Maisa dos Santos; et alii . “O consumo de maconha na adolescência e as conseqüências nas funções cognitivas”. Psicol. estud. [online]. 2007, vol.12, n.2, pp.267-275. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-73722007000200007&script=sci_abstract&tlng=pt Acesso em: 21/03/2017


LIVROS

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JUNGERMAN, Flávia Serebrenic. ZANELATTO, Neide A. “Tratamento psicológico do usuário de maconha e seus familiares: Um manual para terapeutas”. São Paulo: Roca, 2007.


MACHADO, R.; SUZANA, L. “Recomendações esclerose múltipla”. Omnifarma, 2012. Disponível em: http://formsus.datasus.gov.br/novoimgarq/14491/2240628_109700.pdf Acesso em: 17/05/2017


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